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Ligações mais baratas? Entenda o que muda com a diminuição de tarifas em áreas locais

As mudanças na telefonia fixa alteram tarifas de ligações tanto no território do Espírito Santo quanto no Rio de Janeiro. Foto: Pexels.
As mudanças na telefonia fixa alteram tarifas de ligações tanto no território do Espírito Santo quanto no Rio de Janeiro. Foto: Pexels.

Suas ligações podem ficar mais baratas com novas mudanças nas tarifas de áreas locais em ligações no Espírito Santo e Rio de Janeiro. A medida altera a forma como algumas chamadas entre municípios são classificadas e tarifadas, principalmente em cidades que compartilham o mesmo DDD.

A atualização foi definida pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e faz parte de um processo de reorganização da telefonia fixa no Brasil. A proposta é simplificar a estrutura do serviço e aproximar seu funcionamento da lógica já utilizada na telefonia móvel.

O que são áreas locais?

Na telefonia fixa, uma “área local” é o conjunto de municípios onde as chamadas são consideradas locais. Quando uma ligação é feita entre cidades que pertencem à mesma área local, ela recebe tarifa de chamada local.

Fora dessa área, a ligação pode ser cobrada como longa distância, mesmo que os municípios tenham o mesmo DDD. Isso significa que duas cidades vizinhas podem, atualmente, ter cobrança de interurbano dependendo da configuração da área local definida pela Anatel.

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Como funciona a telefonia fixa?

A telefonia fixa operou por muito tempo através de uma infraestrutura baseada em redes cabeadas. Durante décadas, esse sistema foi estruturado em divisões geográficas rígidas, com regras específicas para chamadas locais e interurbanas.

A partir dos anos 1990, a tecnologia de Voz sobre IP (VoIP) começou a substituir a antiga rede cabeada. Nesse modelo, a voz é transformada em arquivo digital e viaja pela internet indo de encontro ao receptor da chamada, sendo transformada novamente em som no outro ponto da linha.

A tecnologia VoIP aproximou a telefonia fixa da telefonia móvel em termos tecnológicos, algo que causou barateamento de custos.

Por que a mudança acontece agora?

Segundo a Anatel, a cobrança por ligações de longas distâncias entre diferentes “áreas locais” de uma mesma região se dava pelos custos de infraestrutura e operação somados ao modelo de subsídio cruzado, com tarifas que não as deixavam mais baratas.

Esse modelo fazia com que certos serviços, como ligações interurbanas, tivessem seu custo aumentado para compensar a instalação de linhas domiciliares, por exemplo. Nesse formato, acumulavam-se milhares de áreas locais diferentes no país, criando um sistema considerado complexo e pouco compatível com a realidade atual das telecomunicações.

Ainda mais tendo em vista que, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), apenas 7,5% dos lares brasileiros têm telefonia fixa, enquanto 97% fazem uso de telefonia móvel via smartphone ou celular.

“Apesar da queda de interesse pelo serviço, ainda existem municípios fora dos grandes centros urbanos que dependem da telefonia fixa e serão beneficiados pela mudança“, afirma a agência.

Panorama da telefonia no Brasil

A telefonia brasileira surge no Rio de Janeiro em 1877, interligando o Palácio da Quinta da Boa Vista às residências oficiais dos ministros do Império Brasileiro. Cerca de seis anos depois, a primeira linha interurbana foi inaugurada conectando a capital do Império à cidade de Petrópolis.

Em 1923, o país recebeu sua primeira central de telefonia automática em São Paulo, o que dinamizou as chamadas telefônicas e reduziu a dependência do trabalho humano no processo de conexão de diferentes linhas.

Quarenta e dois anos depois, o governo federal decreta a criação da empresa estatal de telefonia, a Telebras. A estatal integrou as vinte e sete operadoras estaduais e expandiu a infraestrutura de telefonia fixa pelo território brasileiro.

No ano de 1998, a Telebras é leiloada para a iniciativa privada e dividida entre doze entidades empresariais. Sua privatização popularizou o uso de chips pré-pagos e extinguiu a necessidade de adquirir ações da empresa estatal para fazer uso da telefonia fixa.

Já em 2022, o número de residências utilizando a tecnologia VoIP para ligações fixas supera às que ainda utilizam a rede cabeada, segundo a Anatel. Algo que marca uma virada tecnológica na telefonia fixa que, em 2026, encerra as cobranças interurbanas para “áreas locais” com mesmo DDD. Agora, essas ligações tendem a ficar mais baratas com a mudança nas tarifas regionais.

A reorganização de áreas locais simplifica e moderniza a telefonia no Brasil e beneficia o bolso dos consumidores. Foto: Pexels.
A reorganização de áreas locais simplifica e moderniza a telefonia no Brasil e beneficia o bolso dos consumidores. Foto: Pexels.

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